Mãos ao ar

Blogue de discussão desportiva. Qualquer semelhança entre este blogue e uma fonte de informação credível é pura coincidência e não foi minimamente prevista pelos seus autores. Desde já nos penitenciamos se, acidentalmente, relatarmos uma informação com um fundo de verdade. Não era, nem é, nossa intenção.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Escreve-se no “Record” de hoje

“Há muitos anos que os três grandes não tinham treinadores tão fracos.”

Paramos a leitura para recuperar o fôlego. É certamente um tratado que se avizinha. Pelo tom assertivo, sairá seguramente da pena de um catedrático com especialização em futebol, de um treinador da estirpe de um Rinus Michels ou, quem sabe?, de um jogador de nomeada, daqueles que, pela experiência e tarimba, ganharam o direito a pronunciar-se sobre a evolução do jogo.
Prosseguimos.

“Nunca tiveram plantéis e condições de trabalho tão boas e, por paradoxal que pareça, os treinadores dos grandes nunca estiveram tão vulneráveis como estão agora.”

O diagnóstico é forte, tal como a doença. Mas é justo. Não se cura uma vítima de trombose com caldo verde, como diria o professor Neca, se lhe pedissem um aforismo.
Talvez seja um artigo de José Mourinho. Ou de Fabio Capello. Ou do próprio Sun Tzu, o que seria um tremendo furo do popular jornal desportivo. Morto há 2.300 anos (o Sun Tzu, não o “Record”, bem entendido), o autor de “A Arte da Guerra” tem estado em blackout.
Mais uma linha da análise.

“Só concluo que [os treinadores] não podem estar onde estão.”

Intrigado, vou ver o crédito da peça, inserida na rubrica “Os Olhos do Mister”. Descanso.
O texto é do treinador Luís Campos, o homem que o Mais Futebol um dia entrevistou numa peça sobre José Mourinho e disse que, não sendo da mesma geração de José Mourinho, tendo crescido numa cidade diferente da de José Mourinho e sendo dono de um currículo radicalmente diferente do de José Mourinho, sentia que existia “admiração entre um e o outro”.
Luís Campos não o disse, mas percebia-se que o sentia: o que o une a José Mourinho é algo mais forte do que a resina. Luís Campos pode não ser da mesma geração, pode não ter crescido na mesma cidade e pode não ter ganho nenhum troféu, mas bebeu da cartilha dos grandes treinadores. Com José Couceiro, aprendeu a trabalhar com humildade; com Carlos Carvalhal, aprendeu a trabalhar com devoção; e com José Mourinho, aprendeu a trabalhar com um serrote.
Não é muito bom, mas também não é mau.

8 Comments:

At terça-feira, 02 dezembro, 2008, Blogger LionHeart (o autêntico)disse...

O Luis Campos? Aquele que na mesma temporada conseguiu atirar 2 clubes para a 2ª divisão? O treinador que mais vezes foi despedido na 1ª Liga?

Então está explicado. Trata-se de uma sumidade na bola.

Estou até seguro que entre ele e Paulo Bento haverá uma certa admiração.

 
At terça-feira, 02 dezembro, 2008, Blogger Cozinheiro Suecodisse...

E com o Queiroz? Ia jurar que também tinha aprendido algo com ele.

Eruditos, há muitos.

ps: e chapéus também. Dá-lhe Quim!

Abraço Leonino!

 
At quarta-feira, 03 dezembro, 2008, Blogger Leão de Alvaladedisse...

Meu caro Bulhão Pato:
De facto, na carreira de Luis Campos há um traço indiscutível de Special One: Tal como Mourinho, LC foi um jogador cuja carreira foi marcada pelo selo inconfundível da mediocridade e, ao tempo que o pai Mourinho treinava o Rio Ave, ambos pisavam as lamas dos mesmos pelados.

É certo que Luís Campos não teve a honra de ser tradutor de leão ao peito como Mourinho, mas também não teve que arrostar como moço de recados de treinadores como Robson ou Van Gal, carregando, coletes, pinos e placas das substituições.

Há um indiscutível traço comum: ambos começaram as carreiras a cuidar de aviários: Mourinho no slb e Campos no D. das Aves. Daqui para a frente seguem rotas paralelas, que aqui e ali se cruzam no destrambelhamento (a camisola do Rui Jorge, p.ex., ou a dar em cima das namoradas dos superdragões, um passatempo mitológico, or certo), mas depressa voltam á sua rota: Mourinho nas luzes da ribalta e Luis Campos no limbo da ignorância. Da dele e da nossa em relação a ele, aqui e ali interrompida pelos favores da comunicação social.

 
At quarta-feira, 03 dezembro, 2008, Blogger Mike BlitzGreendisse...

Luis Campos é um "Fenono" do futebol nacional. O vulgar pontapé na chincha até fica engrandecido com toda e qualquer analise do "Home"! A verdadeira sapiencia ancestral do futebol....alias Campos é a verdadeira esfera! Não têm ponta por onde se pegue!.......Chutai-a para longe.....LOL

 
At quarta-feira, 03 dezembro, 2008, Anonymous Anónimodisse...

Este Jericho é engraçado.
"olha põe aí o meu link e depois avisa, dass"

atitude!

 
At quarta-feira, 03 dezembro, 2008, Blogger Viscondedisse...

Ia jurar que já tinha alterado o nome para Luis Campas, tantos foram os clubes que já enterrou...lol

SL

 
At quarta-feira, 03 dezembro, 2008, Blogger Diego Armésdisse...

"(...) com um serrote"...

Se o CR7 soubesse escrever, esta tirada só poderia ser dele. Delicioso...

 
At quinta-feira, 04 dezembro, 2008, Blogger Solo minskdisse...

Brilhante, Bolhón!!!

 

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