Mãos ao ar

Blogue de discussão desportiva. Qualquer semelhança entre este blogue e uma fonte de informação credível é pura coincidência e não foi minimamente prevista pelos seus autores. Desde já nos penitenciamos se, acidentalmente, relatarmos uma informação com um fundo de verdade. Não era, nem é, nossa intenção.

domingo, dezembro 04, 2005

Golos à Sporting

Não tenho do mundo uma perspectiva apocalíptica ou conspirativa. Limito-me a constatar que há uma acção concertada de forças das trevas unidas para prejudicar o Sporting.
Será idiota associar o oculto a resultados desportivos? Provavelmente. Mas como explicar então que, em noites específicas, os astros se alinhem e conjurem contra o clube? Há quem encontre apenas na incompetência humana a causa para a desgraça. Eu antevejo-a no domínio do oculto e não estou sozinho nesta pugna. Todos os pacientes desta ala psiquiátrica do Hospital Miguel Bombarda pensamos assim.
Fazem-se rankings por tudo e por nada, mas há uma classificação que não vi publicada: a do clube que sofre os golos mais estúpidos do mundo. Aí, amigos, há poucas equipas que rivalizem connosco.
De memória, cito os Ivkovic specials - petiscos de origem croata, normalmente produzidos contra o FC Porto e bestialmente engraçados se não tivessem ocorrido na nossa baliza. Desde um golo do meio-campo marcado por Jorge Couto à incrível carambola de 1992, que permitiu o golo de Kostadinov, Ivkovic fez de tudo. Culpa do croata? Ora. Ninguém, no seu devido juízo, deixa que a bola bata nos dois postes sem lhe tocar, antes de ser batido por Kostadinov. Houve ali intervenção do Oculto. E pior: esse Oculto tem sentido de humor.
Em 1995, fui ao Bessa, palco que tanto gosto de visitar pelo especial carinho que os adeptos da casa gostam de tributar aos visitantes. Aliás, que atire a primeira pedra aquele que não gosta de ser cuspido e insultado por 30 adeptos jarretas do Boavista, daqueles que nos fazem duvidar se a espécie humana terá mesmo evoluído uniformemente desde a savana africana.
Nessa noite, assisti provavelmente ao golo mais estúpido consentido por uma equipa do Sporting. Com o jogo empatado, o defesa Nélson procurou despachar a bola para longe e não encontrou melhor forma se não rematá-la violentamente contra as costas do colega Vidigal. Inevitavelmente, a bola encontrou a trajectória mais absurda para entrar na baliza. É uma pena, aliás, que a constituição de 1976 proiba o esquartejamento. Nos bons velhos tempos, haveria pedaços dos dois cretinos espalhados ao longo da Avenida da Boavista.
Talvez seja isso que tem faltado: sacrifícios humanos dos infelizes que geram golos destes!
Ao longo dos anos, houve mais, muito mais. Do golo de rabo de Zahovic em 1998 (julgo que o primeiro do género no mundo) à bem conseguida carambola de sexta-feira passada, no Dragão, passando ainda pelo horrível frango de Schmeichel em Braga (quando bateu a bola rematada por Feher contra o solo, e a lama do Estádio 1.º de Maio fez o resto...), já sofremos de tudo. Aos poucos, resignámo-nos a esta triste sina de arruinar exibições e resultados com golpes destes. Rimo-nos da palermice de Polga. Fazemos escalas de classificação (para mim, o auto-golo de Polga merece um 7/10 em execução e um 8/10 em sarcasmo).
Eu próprio já sublimo o azar com muito mais tolerância: passadas 48 horas, já me retiraram a camisa de forças e reduziram a toma diária de Prozac. Daqui a dias, prometem os enfermeiros, já me deixam ir à rua outra vez.

10 Comments:

At domingo, 04 dezembro, 2005, Anonymous Anatolydisse...

Esqueces-te de dois autogolos no mesmo jogo - a prenda do Beto aos lampiões em 98 ou 99. Também tem de estar na lista.

 
At segunda-feira, 05 dezembro, 2005, Anonymous burladisse...

Ou quem não se lembra dos famosos golos de 30 metros consentidos pelo Costinha??

 
At segunda-feira, 05 dezembro, 2005, Blogger Peyroteodisse...

A juntar a esse golo do Bessa (Nélson contra Vidigal), eu colocaria no top dos golos ridículos, aquele do Sochaux no ano passado, em Alvalade, numa dupla oferta do Polga! Que lance mais disparatado!

 
At segunda-feira, 05 dezembro, 2005, Blogger Bulhão Patodisse...

Depois de afixar o post, ainda me lembrei do golo sofrido na Póvoa do Varzim, salvo erro contra o Felgueiras: o Peixe atrasou a bola para o guarda-redes, mas ela ficou parada numa poça de água e isolou o avançado adversário.
E já agora, no ano passado, no Sporting-Penafiel, quando o Hugo escorregou e isolou o N'Doye, também gerou um momento inesquecível. Que o diabo o guarde!

 
At segunda-feira, 05 dezembro, 2005, Anonymous Rucadisse...

Não és o único que sofres golos assim. Pensa no golo da vitória do Belém este fim de semana. Que caldeirada de pernas e braços!

 
At segunda-feira, 05 dezembro, 2005, Blogger Pitons D´Alumíniodisse...

Bulhão, o Peixe tem várias "performances" para essa lista;

Contra o Rio Ave num jogo que ficou 4-4 salvo erro em 96 tb atrasou uma bola que ficou presa num charco e la apareceu o avançado a fazer o golito...

 
At terça-feira, 06 dezembro, 2005, Blogger Peyroteodisse...

Bulhão, esse golo de que falas foi contra o Famalicão, na Póvoa do Varzim. Lembro-me perfeitamente! Era um jogo importante, estavamos na luta com o Benfica e jogavamos desfalcados (tivemos de recorrer a Poejo e Porfírios na altura). Marcámos primeiro mas o Peixe teve a triste ideia de atrasar a bola quase do meio campo num relvado que mais parecia um pântano! Ficou empatado esse jogo, salvo erro!

 
At terça-feira, 06 dezembro, 2005, Anonymous Bibotadisse...

Vocês são muito engraçados. Atribuem sempre aos outros os vossos erros. Foram os arbitros, o azar, o vento, a lama. A culpa nunca foi vossa.

 
At terça-feira, 06 dezembro, 2005, Anonymous Apredisse...

Lembro-me perfeitamente das saidas arrepiantes a uma mão em cantos, quando foi para o Belenenses.

 
At quarta-feira, 07 dezembro, 2005, Anonymous Petrovichdisse...

E que tal o balão de Maric com a nuca nos descontos em 2000-1 nas Antas? Eles também têm algumas histórias para contar (o célebre passe do Secretário para o Acosta ou este do Pepe para o Martins) mas nós ganhamos por quilómetros neste departamento...

 

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